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Artesanato Indígena de MS: Sustento e Tradição Mantidos pela Cultura

Fundação de Cultura do Mato Grosso do Sul apoia comercialização de peças, emissão de carteiras e participação em eventos nacionais, garantindo renda e preservação ancestral para nove etnias.

20/04/2026 às 12:56
Por: Redação

A valorização e o apoio à produção de artesanato indígena em Mato Grosso do Sul representam um pilar essencial tanto para a manutenção das tradições culturais quanto para a sustentabilidade financeira das comunidades originárias. A Fundação de Cultura do estado (FCMS) atua de forma abrangente para fomentar essa arte, promovendo a comercialização e a inclusão dos artesãos no mercado.

 

Iniciativas de Apoio e Diversidade Cultural

 

As ações da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul incluem a oferta de espaços para venda na Casa do Artesão e a organização da participação em feiras de alcance nacional. Além disso, a entidade leva seus serviços diretamente às aldeias para facilitar a emissão da Carteira Nacional do Artesão. No estado, nove etnias indígenas estão devidamente catalogadas, e todas se dedicam à criação de diferentes formas de artesanato, abrangendo cerâmica, trabalhos em fibra e produtos feitos com sementes.

 

Katienka Klain, que atua como diretora de Artesanato, Moda e Design da Fundação de Cultura, destaca que, no contexto de Mato Grosso do Sul, as etnias Terena, Kadiwéu e Kinikinau são as que mais se destacam em termos de comercialização e envolvimento em eventos, com forte base na produção de cerâmica. Ela observa um crescimento, ainda que gradual, na venda de peças das etnias Guató e Ofaié. As vendas mais expressivas, entretanto, continuam sendo as da etnia Terena, cujo artesanato é reconhecido como patrimônio e referência cultural. A diretora explica que, muitas vezes, as vendas da cerâmica Terena ocorrem por meio de associações, inclusive não indígenas, devido às barreiras de acesso financeiro que os próprios artesãos enfrentam para participar de determinados eventos.

 

A diretora Katienka Klain acrescenta que, nas feiras nacionais, a maior parte das vendas é realizada por associações de artesanato, que nem sempre são exclusivamente indígenas, contando também com a representação de pessoas não indígenas. Ela enfatiza que, apesar de um volume expressivo de vendas, a cerâmica Terena ainda predomina, indicando a necessidade de um esforço maior no estado para ampliar o comércio e aprimorar a qualidade de outros tipos de artesanato.

 

O artesanato indígena é o primordial, é o que começou, onde tudo começou. Então, assim, está e grande parte quando a gente realiza a Carteira Nacional do Artesanato nas aldeias indígenas. Eles deixam claro que eles vivem do artesanato, então é fundamental o apoio da Fundação de Cultura através de comercialização nos Festivais de Inverno de Bonito, América do Sul, que são espaços próprios para eles. As vagas também nos editais, que também são vagas específicas para a população indígena, para que eles possam escoar essas peças e ter representatividade e também começar a entender o que é o mercado do artesanato.

 

Artesanato como Identidade e Geração de Renda

 

A Casa do Artesão, um importante centro de comercialização, abriga o artesanato indígena há mais de três décadas, contando com a participação ativa das etnias Kadiwéu, Terena e Kinikinau. A coordenadora da Casa do Artesão, Eliane Torres, sublinha o profundo significado dessa produção para a cultura local.

 

A nossa referência cultural, é a nossa identidade, é patrimônio histórico, tudo isso envolve, por isso que temos aqui nossos artesãos indígenas presentes na nossa casa.

 

A artesã Cleonice Roberto Veiga, conhecida como Cléo Kinikinau, tem suas criações expostas na Casa do Artesão há um ano, ao lado das peças de sua mãe, Ana Lúcia da Costa. Ela produz itens em cerâmica e argila, além de acessórios como colares, brincos e pulseiras. Cléo ressalta a importância da Casa do Artesão para a visibilidade de sua arte e de sua cultura.

 

Para a gente é importante que vocês ajudem a gente a divulgar o nosso trabalho, a nossa cultura e também ajuda no custo financeiro, que isso é uma fonte de renda nossa, que muitas vezes a gente não tem um emprego fixo, não trabalha, e acaba ajudando isso para dentro de casa nossa. É muito importante, depois que a gente conheceu aí a Casa do Artesão, para a gente está sendo ótimo, está ajudando a gente, que de mês em mês, a Casa do Artesão, ela tem mandado para a gente o que tem vendido e valoriza mais o nosso trabalho. E é isso, é muito bom, muito importante mesmo para nós. Nosso artesanato Kinikinau é raro ver em lugares, mas está ajudando muito mesmo a gente.

 

Creusa Virgílio, pertencente à etnia Kadiwéu, relata que sua trajetória na Casa do Artesão começou há 14 anos, quando acompanhava sua mãe e irmã na venda de cerâmicas. Após o falecimento delas, Creusa manteve o legado, entregando novas peças a cada 30 dias. Para a artesã, essa atividade vai além da renda.

 

A importância é, para mim, a mulher Kadwéu sobre a valorização do nosso estado, também é o momento de a gente divulgar e fortalecer a arte Kadwéu. O artesanato, para mim, é a renda familiar e a valorização da cultura, para que a cultura Kadwéu sempre viva e seja fortalecida em nosso estado.

 

Transmissão de Geração em Geração: O Legado Terena

 

Rosenir Batista, artesã da etnia Terena, foi agraciada na Semana do Artesão do ano anterior, em reconhecimento ao seu trabalho. Ela frequentemente conduz oficinas em instituições de ensino, permitindo que os estudantes conheçam a rica cerâmica Terena. Neste ano, durante a Semana do Artesão, Rosenir ministrou uma oficina para alunos da Escola Municipal Governador Harry Amorim Costa.

 

Nascida em 8 de março de 1967, Rosenir se dedica à Cerâmica Tradicional Terena desde a infância, acumulando mais de 49 anos de experiência. Ela aprendeu a arte ancestral com sua avó, e sua produção evoluiu desde as primeiras peças, como

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